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26 de abril de 2010

Quem canta nem sempre encanta

Não nasci da barriga de um boi, muito menos fui exposta no varal para pegar sol e nem me recordo de ser servida em prato de churrasco algum. Em suma, não sou um mero pedaço de carne. Sou gente, sinto, reflito, penso e, sobretudo porque penso não admito que me chamem de gostosa ao andar pela rua, nem que me elogiem pelas minhas carnes, não vou lhes servir até palitarem os dentes.

Algumas mulheres sentem aumento da autoestima quando levam cantadas, mesmo que grosseiras. Para mim creio que são solitárias ou com baixa valorização de si mesmas e atendem aos chamados mais grosseiros por não terem em que se sustentar. Doeu? Machucou? Um mero pedaço de carne não tem sentimentos, lembra? Então aceite as consequências de ser um reles pedaço servido em churrascaria.


Se querem elogiar, usem palavras no mínimo decentes. Cantadas nem sempre são indesejadas, mas com ignorância serão sempre rechaçadas – pelo menos por quem tem cérebro além de coxas e bumbuns e, garanto que vale a reflexão se serão estas que gostarão de dividir cada refeição pelo resto de suas vidas (MP)


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Uma cantada é como um cartão de visita. Ela pode encantar ou repelir, aproximar ou manter um distanciamento, e, se usada adequadamente, pode ser uma flechada certeira no coração. A paquera é a arte da precisão, ou seja, conquistar uma pessoa com poucas palavras ou gestos e expressões. O importante é quebrar o gelo e aproveitar a chance que lhe é dada, principalmente se a oportunidade é única – nesse caso, vale até tática de guerrilha para aproveitá-la.

Eu gosto das cantadas inteligentes e diretas, mas com uma grande dose de audácia, porque gosto de ser objetivo e determinado; no entanto, admito que, independente da tática, a melhor é aquela que atinge a sua finalidade: a conquista – quer seja um xaveco do tipo “pedreiro”, quer seja do tipo romântico. Repito: a cantada pode ser um atalho para o coração ou um sinal vermelho (pare!).

A criatividade, creio eu, é o instrumento mais poderoso nesse primeiro contato, já que a conquista nada mais é do que questão de momento e oportunidade. O deslize, ou uma palavra mal colocada, pode ser imperdoável e manchar a imagem de qualquer criatura cândida, mas, cá entre nós, quem nunca levou um fora? Eu mesmo levei vários e aprendi bastante sobre os comportamentos e as curiosidades do universo feminino. O importante é acreditar e não desistir, afinal, toda panela tem a sua tampa! (CE)

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