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12 de julho de 2010

Paixão: crime, castigo ou salvação?

Eu não gosto, e nunca gostei, dos extremos. O excesso ou ausência de sentimentos para mim são prejudiciais, por isso, digo que a paixão avassaladora, ardente e sem controles é prejudicial e pode, sim, virar castigo – mas nunca será um crime. O verbo amar (ou estar apaixonado) não pode se incluído na lista dos verbos proibidos, tais como: matar, roubar e outros similares que denunciam um comportamento indesejado e doentio. O amor é saudável e, se controlado, pode ser a salvação de uma vida sem graça e sem emoções.

Vejo a paixão com suas vantagens e desvantagens, qualidades e limitações, pontos positivos e negativos, no entanto, querer vê-la puramente como crime ou salvação é querer livrar-se de uma longa, mas interessante discussão. O uso que fazemos dela é que determina o seu resultado. Eu mesmo já fui romântico, mas ciumento – também já fui carinhoso, porém inseguro, por exemplo. A vida nos ensina a administrar essas coisas com o tempo, entretanto, admito que já “levei muito na cabeça” até melhorar e conseguir controlar minhas paixões.

O meu lado racional hoje fala mais alto, e paixão é coisa que ficou na minha memória, portanto, nada de sentimentalismos. O sabor da paixão é bastante doce, agradável e muitas vezes indecifrável. O problema é que pode ficar azedo ou ainda deixar cicatrizes – muitas delas quase incuráveis. E é dessas que estou fugindo. A paixão nos ensina muito, então, quero aprender (e aprendi) com ela e, se possível, apenas degustá-la, pois o “porre” dela é de deixar qualquer um sem direção ou com vontade de nunca mais experimentá-la!


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Você já se apaixonou? Então será fácil me responder: paixão é algo positivo ou negativo? Achou a pergunta estranha? Talvez porque você não tenha olhado a danada por outros ângulos. O que vemos aqui e acolá são filósofos, especialistas e, claro, apaixonados defendendo a paixão como um motor em nossas vidas, mas será que uma pessoa apaixonada não é de algum modo, tola e cega?

Concordo que não podemos racionalizar os sentimentos – ou pelo menos não tanto quanto fazemos. Mas também julgo incorreta a ideia de que devemos nos entregar cegamente a um sentimento que muito bem pode ser confundido com uma entrega à beira do precipício. Muitas vezes tenho que amparar amigos de corações feridos por conta de uma paixão avassaladora que levou não apenas seus sentimentos, mas a auto estima, o respeito próprio e muitas vezes a esperança de um amor verdadeiro.

Apaixonados muitas vezes esquecem de olhar o futuro e a si mesmos, agarrando-se a um presente sem planos e objetivos. Deixam a vida os levar sem eiras, nem medos. Tudo bem, tudo bem, perder-se é encontrar-se, é fato, mas de nada adianta se jogar 100% numa paixão e deixar de lado a possibilidade, inclusive, de prolongar essa relação por uma louca paixão desequilibrada. Nem só de paixão ou de razão vive o homem!

Não sou racional em excesso - muito embora tenda mais para esse lado - nem tampouco passional, sou apenas aluna da vida, das relações, dos sentimentos. E quer saber? Adoro esse aprendizado constante. Experimentemos, provemos e descubramos o que realmente queremos. Afinal, como diria Voltaire “as paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas”.

3 comentários:

Rita disse...

Pois é, concordo com ambos, mas deixo uma pergunta: como saber - naquele momento em que um olhar nos arrebata ou que algo nos envolve e nos vemos atraídos por alguém -, que caminhos tomarão esse sentimento, o que devemos fazer, recuar, permiti-nos sentir, se justo neste momento, ali, pode estar nossa grande alegria ou um futuro sofrimento? Como saber?
Difícil, não?

Gostei muito dos textos.
Abraço!
;*

Mayara Paz disse...

Continuo apostando no equilíbrio, Rita. Uma faísca de início é perfeitamente saudável, mas que dirá dessa constância em uma relação cega de paixão?

Beijos e obrigada pela participação!

luciana disse...

Bem, até pouco tempo atrás eu acreditava ser movida só pela emoção. Um belo dia, um amigo me disse que eu era racional ao extremo. Tempo mais tarde, outras pessoas falaram a mesma coisa. Parei para pensar e acho que elas podem ter razão. Mas, na atual conjuntura, onde as pessoas pouco se importam com os sentimentos, acredito que se algo lhe faz perder a cabeça na certa não é bom e no fim alguém vai sofrer.E não quero isso. Assim, concordo com a Mayara de que o equilíbrio é essencial. Não consegui ainda achar esse tal equilíbrio. Na dúvida e no medo de perder a cabeça, fico na razão que parece ser mais segura. Não há emoções fortes, mas, pode sim, fazer o coração pular um pouco mais feliz.