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1 de novembro de 2010

Pecados Capitais - Gula

 A gula, a meu ver, é dos vícios aquele menos pecaminoso, e o mais praticado, pois em regra atinge apenas o pecador e é usada como válvula de fuga e proteção. Os ansiosos que o digam. A parte boa é que podemos sucumbir levemente, até porque, pensemos bem, mesmo as dietas mais espartanas têm os seus dias de folga – moderadamente, vale repetir. As regras de boa convivência aceitam uma pequena dose de gordurinhas e carboidratos a mais, nada que comprometa a saúde do relacionamento.

O interessante, no entanto, é que a gula tem o poder de nos denunciar, quer dizer, revelar a nossa capacidade de auto-controle e de como dominamos os vícios, sejam carnais, sejam mentais, como avareza, cobiça, ciúmes, inveja e tantos outros que dinamitam qualquer convívio, minimamente, harmonizado. É como acontece nos relacionamentos: tem hora que autocontrole é indispensável, já que as seduções são inevitáveis e muitas vezes ilusórias.

A gula “saudável” é de amor, carinho, de estar com a pessoa amada, independente da hora e da ocasião, nada mais, nada menos – é ter fome e vontade de comer ao alcance. A minha satisfação é medida em gestos, palavras, mensagens ou qualquer ato concreto de apoio, reconhecimento e carinho – e, por isso, estou repelindo qualquer pessoa cujo cardápio não contemple esses itens, ou atende, ou é “carta fora do baralho” na minha opinião. O meu apetite é voraz, mas não é qualquer coisa que vai resolver meu caso, e hoje mais do que nunca.
 
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Você tem fome de quê? Você tem sede de quê? Muitos comem quiabo com jiló sem reclamar. Outros são frescos até com filé mignon. Mas, gosto é gosto, não é mesmo? O mesmo ocorre com relacionamentos. A fome que se origina dele pode ser saciada com alguns instantes de paixão ou anos e anos de companheirismo.

Há quem diga que não é preciso mais do que um dia de felicidade junto ao amor verdadeiro para ser plenamente feliz. Será? Particularmente não acredito nisso. Acho que todos temos fome de amor, de carinho, de afeto diário. Quem fala o oposto ou é um individualista nato ou um eremita. Acredito sim que se não há opção, aproveitemos enquanto dure, mas se há alguma alternativa de estar ao lado de quem se ama, convenhamos que 100% escolherá essa opção.

Matemos nossa fome de amor (por mais brega que possa parecer essa frase), saciemos nossa sede de viver ao lado de quem gostamos, mesmo que tenhamos uma indigestão ao final, saberemos que degustamos novos sabores e isso será eterno em nossa vida.

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